Inês Aranha
Ciclos foram feitos para serem fechados, muitas vezes quando estamos dentro de um não temos a consciência do que significa , do quanto nos modifica...
O ator é um mutante , com bilhões de questões a serem resolvidas e muitas das fichas demoram anos para cair .
Eu tive a honra de estar com uma mestra durante um ano e especificamente este semestre ouvir , ouvir e ouvir...
E ouvindo ampliei muitas coisas que eu já acreditava , respeito , generosidade , profissionalismo , pontualidade , entender que um processo acontece no outro de uma forma completamente diferente do que acontece com você e ninguém tem o direito de apontar um jeito certo de se fazer a coisas , mas sim ajudar o outro a encontrar o seu proprio jeito de fazer.
Tecnicamente compreendi melhor varias coisas também , mas o que mais me tocou foi o amor.
O amor que a minha mestra tem pela sua arte e como isso contamina e toca nosso centro criador e impulsiona para coisas boas.
Eu gosto de servir mas não gosto de ser serviçal , existe uma diferença muito grande entre essas coisas , gosto de servir no sentido de estar disponivel , de estar presente , de fazer com que o pequeno espaço de tempo que outro ser vivo me disponibilizou seja tratado como raro , um pequeno sopro de vida na alma.
Temos um oficio , bonita essa palavra "oficio" e nele temos que mergulhar fundo no mar que temos dentro de nós e continuar a enche-lo com um oceano de repertório, um ator aprende o tempo todo e com todos e mesmo nas lições de vida que são difíceis transformamos em algo melhor.
Podemos criar um universo do nada e como é grandioso isso , fazer com que existam coisas que sonhamos...
E foi assim que aconteceu , me vi nos outros , me vi em suas duvidas e anseios tão questionados em cada fim de aula , me vi nos outros quando uma palavra como "arrasou" nos faz saltar a alma e ficar feliz por uma semana inteira e com uma vontade infinita de fazer melhor na outra semana, me vi novamente com afago na alma quando o outro era afagado com tanto carinho e doçura uma mestra pode ter , me vi anos atras correndo contra o tempo que sempre foi apertado mas que no fim da noite compensava cada esforço por 5 minutos de cena por saber que aqueles eram meus 5 minutos, saber que estava sendo visto por completo e que tudo que meu corpo criava estava sendo observado de forma tão generosa.
Certa vez minha irmã de consideração Mariana me disse que eu tinha uma coisa em cena , eu perguntei tecnicamente o que seria e ela foi simple e disse "seus olhos"... não sei se é assim mas busco o brilho nos olhos do outro , sou um torcedor fanatico da criação , em cada palavra , cada nuance do texto e quando vejo o outro saborear tudo de forma tão prazerosa não me contenho e passo a saborear também e passo a ser ladrão.
Não assisto o outro como eu faria aquele texto , assisto a possibilidade divina que ele cria e trago pra mim , faço furto de arte na fonte e depois tranformo em algo meu.
Gostaria de dizer o que minha mestra significa nesse ciclo e a única coisa que me vêm a cabeça é "inspiração" quando eu crescer quero ser assim , não como ator pois acho que cada um tem sua história e ela deve ser vivida de forma única e intensa, mas como ser humano! Ser um grande ser, ser humano!
Obrigado Ines Aranha pelo seu tempo que pra mim é raro , e por hoje eu saber que seus textos decorados entre o trabalho e o Indac faziam daqueles meus 5 minutos alguns dos minutos mais importantes da minha vida!
E obrigado a todos os meus colegas de oficio pelos privilégio de apreciar os seus minuots tão preciosos!
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